PROJETO DO SITE
Sobre a produção do Site de autoaprendizagem, abaixo as reflexões que nortearam construção deste espaço.
Mandalart - Instalação Land Art coletiva da turma de 12 anos em 2018 da Escola Municipal Benedito Soares de Castro - Goiânia/GO.
Introdução
Porque arte, meio ambiente e povos indígenas
O problema central, do meu site de autoaprendizagem, partiu de questões de como lidar com assuntos, neste caso: arte, meio ambiente e povos indígenas; que se conectassem de forma concreta com a vida de meus educandos e que de alguma forma pudessem criar neles reflexões que os ajudassem a se tornarem melhores cidadãos. Esse melhor, deveria contemplar aspectos humanistas de um ativismo que pudesse se realizar no cotidiano. Que fosse algo praticável nas pequenas ações diárias e ao mesmo tempo tivesse dimensões sociais e estéticas.
Ação arte educativa
Para refletir sobre as questões ambientais e indígenas, numa perspectiva de desconstruir estereótipos, uma das preocupações dos povos indígenas conforme Silva [2017]; partimos do cotidiano dos educandos, sugerindo uma produção visual, um desenho por exemplo; que ilustre o que sabem ou como pensam que é a vida dos povos indígenas. Em seguida, uma pesquisa na internet sobre os hábitos presentes na ilustração para em seguida, compará-las com a imagem original.
Como a arte/educação pode contribuir no debate entre meio ambiente e povos indígenas Karajás?
O pensamento da abordagem triangular negocia com a teoria pós-colonialista no sentido de pensar a dimensão estética atrelada a dimensão da política e das formas de poder, conforme Azevedo e Araújo [2015].
Ou seja, a produção e consumo de beleza (estética) se vincula ao campo social do ativismo das ideias (política) ao gerenciar intenções e ações no meio social. Tanto a questão ambiental como a indígena, impensáveis de formas isoladas em nosso contexto geográfico, carecem de visibilidade social das suas problemáticas para a construção de um discurso político positivo no sentido de esclarecer suas relevâncias. A arte educação pode possibilitar mudanças em nossa sensibilidade; conforme Tourinho e Martins, "as experiências cotidianas com as visualidades exercem um forte apelo sensível que afeta nosso modo de ser, interagir e tomar decisões relativas a perceptos, conceitos e enunciados" [2016, p.6].
Ao criarmos, através da arte, um significado que suplante o conhecimento racional adicionando um caráter de valor estético, é possível facilitar a criação de uma audição para a agenda do meio ambiente e da defesa dos povos indígenas.
Meio ambiente
A preocupação com o meio ambiente e a cultura indígena é uma possibilidade de trabalhar os elementos acima citados. Sua amplitude justifica uma consciência histórica, técnica, estética e humanista. Histórica por ser a relação homem/ambiente diversa em cada período histórico, o que reflete a forma de pensar de acordo com tempos, lugares e contextos. Técnica, por envolver manejos e conhecimentos cada vez mais avançados. E estético pelo viés de uma problemática atual: como mudar comportamentos rumo à preservação e uso sustentável dos recursos naturais, objetivando um modo de viver com mais qualidade tanto na dimensão material (ar, água, alimentos etc), como na dimensão social (avançando na tolerância às diferenças). Humanista pela impossibilidade de pensarmos o ambiente desconectado das pessoas e suas práticas, sendo a qualidade de um diretamente ligada a de outro. Penso que, as agressões ao ambiente provocam cada vez mais queda na qualidade de vida e a intolerância prejudica um convívio social saudável e construtivo.
Considerando uma possibilidade de vida melhor no planeta, insistindo em ajustar o comportamento do cotidiano dos meus educandos, acreditamos que para alcançar o macro, as ações se iniciam no micro, o tema me pareceu adequado para a minha formação e de meus educandos; tanto quanto, para renovar minhas práticas educativas.
Nossa primeira ação foi com o tema da água, seguido pelo tema indígena, onde desenvolvemos projetos que envolveram toda a escola demonstrando quão estreita é a relação entre preservação do ambiente, cultura indígena e arte.
No projeto da água tentamos aproximar o manejo correto da água com a qualidade de vida em nossas casas. Visto que muitos de nossos educandos sentiram na pele a falta de água nas residências, provocada pelo mau uso dos recursos hídricos em nosso estado. A estas preocupações foram associadas o lado estético com conteúdos ligados a Land Art e artistas como Richard Long e outros. O produto final foram instalações e performances lidando com o ambientalismo e a arte.
No segundo semestre, adicionamos o tema indígena como propagador das discussões que envolvem o ativismo político, preconceitos e modos diferentes de viver e resistir. Compreendemos a origem, diversidade e relevância dos povos indígenas para nossa cultura e meio ambiente. O trabalho final contou com desenhos e pinturas indígenas; bem como uma performance que refletiu sobre a agressão dos bandeirantes aos indígenas e o processo de luta deles pelo seu modo de vida.
O site de autoaprendizagem foi relevante ao servir como principal ferramenta de organização do material de suporte, registro dos processos e publicação das obras estéticas dos educandos. Como experiência docente, demonstrou ser um instrumento de sistematização de pesquisas e práticas de forma a facilitar a construção do conhecimento e a possibilitar a visibilidade e consequente discussão do que é feito. Facilitando as discussões obre o assunto.
Intenção pedagógica do tema problema
Queremos alcançar, pedagogicamente, a proposição de atividade de ensino que triangule preocupações com o meio ambiente, os povos indígenas e arte; através da prática de desenho indígena. Visto que, a arte destes povos, refletem seus valores, modos de vida e crenças. Portanto, estes desenhos trazem consigo, quando devidamente contextualizados, parte da dimensão cultural Karajá.
Sobretudo, quando utilizam o ambiente natural circundante como matriz geradora das imagens. Tais objetivações são também reflexos da sua produção estética que valoriza o respeito à preservação da fauna e da flora.
Do ponto de vista do ensino, não pretende ser um tutorial passo-à-passo. Pois, produzir de forma descontextualizada e mecânica resultaria em cópias desprovidas de sentido. Assim, o dispositivo de crianção das geometrias abstraídas é destrinchado a partir de peles e cascos de animais, porém; a intenção é que se aprenda mais que copiar estes padrões; o objetivo preza por compreender em quais condições estas formas do desenho ganham significado dentro da cultura dos povos Karajás.
Objetivos
Geral
Oferecer subsídios para a compreensão do desenho Karajá a partir de sua relação com o meio ambiente.
Específicos
1) Contextualizar a cultura indígena.
2) Conhecer alguns artistas indígenas.
3) Produzir desenhos que se relacionem com a cultura indígena Karajá e o meio ambiente.
Justificativa
Apesar de haver material bruto disponível na internet; ainda se carece de propostas pedagógicas que facilitem o ensino desde conteúdo e sua dinâmica com a relação com o mundo da arte e as preocupações ambientais.
Cito meio ambiente pela impossibilidade de se pensar os povos indígenas desprovidos de seus espaços e sua relação com a natureza. É nesse intercâmbio que cabe as proposições que discorro abaixo que visam facilitar as discussões sobre o tema em espaços escolares. Em breve conversa diagnóstica com meus educandos; percebi que nas turmas que ministro aula na periferia de Goiânia, muitos são incapazes de responder a questões simples como: 1) de onde os povos indígenas vieram; 2) como vivem na atualidade e 3) quais suas problemáticas e que riquezas representam?
A importância desde site reside em refletir com quais maneiras e métodos é possível abordar este tema que possui diversas complexidades ao tocando ao nosso etnocentrismo que causa preconceitos, ofensas e baixa valoração destas comunidades.
Nossa sociedade insiste em tentar
apagar de forma preconceituosa nossa herança e a riqueza cultural deste povo.
Eles sofrem as mais diversas violências e lutam contra o roubo de suas terras,
o desrespeito às suas tradições e a agressão ao meio ambiente; lhes restando
resistir. Como educador, acredito que a formação crítica é uma forma não
violenta de resistência.
Portanto, mais que cumprir currículo, o estudo da cultura indígena, deve ser um compromisso de todos que não acreditam na violência, agressão ao meio ambiente, desigualdade e preconceito como pressupostos para uma identidade nacional. Aqui a proposta, sobretudo, é pautada pelo viés estético, que possibilita uma compreensão mais profunda da extrema beleza que este povo nos oferece pelo seu modo de vida e produção cultural.
Metodologia
A metodologia se orienta pelo contextualizar, o conhecer e o produzir. Desta forma, temos a seguinte estrutura;
1. Contextualizando. Localiza a questão indígena como uma necessidade legal dentro do ensino. Enfatiza o olhar de uma indígena sobre o assunto. E discorre a importância de uma perspectiva questionadora. Tece um histórico da origem dos povos indígenas, principais etnias e suas relações com a natureza, finalizando com o vídeo sobre o Projeto Gati, que demonstra possibilidades de preservação ambiental capitaneadas pelos indígenas.
2. Conhecendo. Apresenta um panorama da arte produzida por indígenas, onde percebemos as conexões com o meio ambiente. São artistas indígenas que merecem uma atenção por utilizarem a arte como resistência, tanto preservação da cultura como da natureza.
3. Produzindo. É lugar onde a teoria encontra a prática. São duas ações educativas que visam refletir sobre o estereótipo e a produção visual dentro de contextos culturais.
Fundamentação teórica
As questões ambientais aqui colocadas se situam em um posicionamento que defende o " socioambientalismo, caracterizada pela busca da compatibilização da presença humana em áreas especialmente protegidas, reconhecendo os dados da realidade e as necessidades culturais "[FURRIELA, 2004, p.66]. Ou seja, acreditando numa dinâmica cultural que atribua aos povos originários autonomia sobre seus espaços e ao mesmo tempo responsabilidades sobre o manejo destes.
As imagens falam do conhecimento que já permeia o imaginário dos educandos, todos tem algum conhecimento, embora muitas vezes de forma mão sistematizada ou crítica. Conforme Tourinho é importante "proporcionar aos estudantes uma série de ferramentas críticas para a investigação da visualidade humana "[2011, p.63]. Assim, suscitar discussões a partir de imagens é uma forma rica de iniciar os trabalhos ao facilitar diagnósticos e arrancar com a organização de ideias.
Educação é um processo de transformação do senso comum em senso científico crítico, na concepção de Boaventura Santos [2008, p.85]. Cabe ao educador mediar a construção de conhecimentos demonstrando incoerências, contradições e falta de embasamentos que permeiam o senso comum; tornando-0 uma das formas básicas de conhecimentos, mas mão suficiente para lidar de maneira mais satisfatória com a realidade. Assim, conversar com os educandos e pesquisar junto com eles é uma forma de criar uma mentalidade crítica.
A produção de obras estéticas é quando o educando se propõe a uma síntese dos saberes adquiridos. A obra de arte reflete seu criador, portanto, nelas estão incorporadas as aquisições sobre os temas abordados. Considero a produção a culminância de um processo onde a aprendizagem se faz significativa pela sua capacidade de subjetivação dos objetos estudados.
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Referências
[4] - AZEVEDO, Fernando Antônio Gonçalves de; ARAÚJO, Clarissa Martins de. Abordagem Triangular: leitura de imagens de diferentes códigos estéticos e culturais. Revista GEARTE, Porto Alegre, v. 2, n. 3, p. 345-358, dez. 2015. Disponível em: <https://seer.ufrgs.br/gearte>. Acesso em: FEV.2019.
[3] - DEWEY, John. Experiência e educação. Petrópolis. Rio de Janeiro. Vozes. 2010. Col. Textos fundamentos da educação.
[5] - MARTINS, R. e TOURINHO, I. Ensino de Arte, Contemporaneidade e Vida Cotidiana. In: Coleção Desenrêdos, V. 11. Disponível em: <https://ebooks.fav.ufg.br/livros/11livro/capitulo1.html> Acesso em: fev. 2019. página 6.
[1] - TOURINHO, Irene e Martins, Raimundo. Circunstâncias e ingerências da cultura visual. In: Educação da cultura visual: conceitos e contextos/ Raimundo Martins e Irene Tourinho (organizadores). Santa Maria: Ed. da UFSM. 2011. Citação na página 63.
[2] - SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências / Boaventura de Sousa Santos. 5. ed. - São Paulo: Cortez, 2008. p.85.
[6] - SILVA, Mirna Patrícia Marinho da et al. Que memórias me atravessam? Meu percurso como estudante indígena. 2017. Dissertação de mestrado FAV/UFG. Disponível em <https://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/8047> .
[7] - Furriela, Rachel Biderman. O movimento ambientalista no Brasil - evolução histórica e o desafio do equilíbrio socioambiental . Org: Ricardo Fany. In: Terras Indígenas e Unidades de Conservação da natureza: o desafio das sobreposições. Instituto Socioambiental, 2004.
Laboratório de Experiências
Às vezes, como professores, temos dúvidas se certos planejamentos darão certo. Desta forma, optei por experimentar os conteúdos com meus educandos. É bom salientar que meu processo de abordagem se esforça por colocar as crianças como protagonistas, assim, tento aproximar minha prática didática muito mais da ideia de projetos que planejamentos rígidos. Portanto, o caminho trilhado é resultado dos apontamentos e preferencias sugeridas durante discussões com o grupo. Assim, não previ uma série de situações, que enriqueceram minha experiência e as de meus educandos; e o resultado final foi, sobretudo, consequência das curiosidades surgidas durante as conversas.
Falo isso para deixar claro que o meu protagonismo, enquanto professor, diminui na medida em que o do educando aumenta na proximidade da produção visual objetivada. O desafio inicial era a produção visual a partir das questões da Land Art e da Cultura Indígena. Enquanto educador, criei o problema, banhei os educandos de informações mas o produto são o resultado das indagações e opções tomadas pelos educandos.
Para a confecção do deste espaço, experimentei as aulas propostas no campo da sala de aula e a abordagem acima para encontrar inconsistências. Os resultados foram aqui disponibilizados para servirem de estudo para atividades afins. Mas não serve como passo a passo para se obter resultados semelhantes.
Realizações
Nossa primeira ação foi com o tema da água, seguido pelo tema indígena; onde desenvolvemos projetos que envolveram toda a escola demonstrando quão estreita é a relação entre preservação do ambiente, cultura indígena e arte.
No projeto da água tentamos aproximar o manejo correto da água com a qualidade de vida em nossas casas. Visto que muitos de nossos educandos sentem na pele a falta de água nas residências, provocada pelo mau uso dos recursos hídricos em nosso estado. A estas preocupações foram associados o lado estético, com os conteúdos ligados à Land Art e artistas como Richard Long e outros. O produto final foram pinturas, instalações e performances lidando com o ambientalismo e a arte. Como podemos ver na galeria.
No segundo semestre, adicionamos o tema indígena como propagador das discussões que envolvem o ativismo político, preconceitos e modos diferentes de viver e resistir. Compreendemos a origem, diversidade e relevância dos povos originários para nossa cultura e meio ambiente. O trabalho final contou com desenhos e pinturas indígenas; bem como uma performance que refletiu sobre a agressão dos bandeirantes aos indígenas e o processo de luta deles pelo seu modo de vida.
O site de autoaprendizagem foi relevante ao servir como principal ferramenta de organização do material de suporte, registro dos processos e publicação das obras estéticas dos educandos. Como experiência docente, demonstrou ser um instrumento de sistematização de pesquisas e práticas de forma a facilitar a construção do conhecimento e a possibilitar a visibilidade e consequente discussão do que é feito. Facilitando as discussões obre o assunto.
Em seguida o link para as páginas onde desenvolvo a ideia, a começar pela pintura indígena.
Como aprender pintura indígena Karajá?
Os conteúdos abaixo foram pensados a partir da articulação de três abordagens: o conhecer, o refletir e o fazer. Pensamento este oriundo do pensamento de Ana Mae Barbosa. Desta forma, o site é montado a partir de aproximações de como lidar com a pintura Karajá: 1) contexto; 2) arte e 3) produção visual.
Espaços de Cultura e Arte em Goiàs
Locais que valem a pena conhecer em Goiás com exposições de arte e cultura indígena.
Apresentação de TCC
Acesse aqui a apresentação do TCC do curso ESPECIALIZAÇÃO EM ARTE/EDUCAÇÃO INTERMIDIÁTICA DIGITAL - UFG/ EMAC.
Galeria de Fotos
Imagens de aulas e dos povos indígenas.
Charges
Porque o bom humor também pode ser instrumento de aprendizagem. Basta instigar a imaginação e criatividade.





